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Raphael Couto e Cristina Lapo expõem na Mercedes Viegas

A Mercedes Viegas Arte Contemporânea abre duas exposições simultâneas, dos artistas Raphael Couto e Cristina Lapo, dia 22 de março, 4a feira, na Gávea, Rio de Janeiro.

Em sua segunda individual na galeria, Raphael Couto apresenta "Tronco", resultado de experimentações baseadas na performance e seus desdobramentos: vídeos e fotografias. "Diferentemente das produções anteriores – que tinham o corpo como suporte de intervenções, dando a este um caráter de objeto, nesta exposição o corpo é apresentado em situações de sustentação, resistência e equilíbrio, afetado pelos diversos ambientes ao redor: casa, quintal, mata, ateliê”, explica o artista.

A mostra reúne três vídeos e seis fotografias realizadas em duas residências recentes. O vídeo que intitula a exposição, desenvolvido durante residência na zona rural de Brasília, coloca o artista numa conversa com a própria natureza do cerrado, frágil e resistente, que se organiza num ciclo intenso de vida e morte – onde incêndios e regenerações se sobrepõem.

Na série de fotos "Faixas", o corpo atravessado por uma faixa adesiva, normalmente utilizada em fisioterapia, é pensado no ambiente arquitetônico – onde chão e parede do ateliê, reforçam a sua presença. Já o vídeo "Pedra" enfatiza a plasticidade do corpo, quando, ao pendurar uma pequena pedra no pulso, é criada uma espécie de “dança” no repuxar da pele. E em "Vertigem", o artista mastiga e regurgita o livro homônimo do escritor alemão, WG Sebald, no exaustivo e repetitivo processo.

Entrelinhas de Cristina Lapo

Em seus trabalhos, a artista manipula elementos básicos: ponto, linha e plano. Ela se interessa por esgarçar as possibilidades de combinações desses elementos e de seus atributos. Os planos, em alguns trabalhos, se expandem fisicamente para o espaço expositivo, para a arquitetura real onde estão inseridos, nem sempre acompanhando a sua ortogonalidade.

As linhas, por vezes, são coloridas, largas, finas, ou se dissolvem como em uma pintura. Em alguns trabalhos, elas ganham o espaço (às vezes duplicando-se visualmente), extrapolam as duas dimensões, tendo corpo, massa, volume: materialidade. Nesse rompimento, as linhas transpassam (ou ligam) pranchas em pontos específicos – calculados com precisão –, unindo planos distintos e criando novos entre os seus espaços, bem como formando volumes adicionais.

Segundo Lapo, “a tentativa de desvendar a obra, por parte do espectador, é outro tipo de exploração da tridimensionalidade do trabalho”. E é isso que a artista quer provocar. Com as linhas que desenha, abrem-se espaços (entre elas), os visíveis na obra, e espaços são abertos na mente de quem observa os trabalhos, pois nem tudo é explícito, há sempre algo nas entrelinhas. Na exposição a artista apresenta em torno de seis esculturas de parede, inéditas, de formas geométricas, em diversas cores e formatos.

As exposições vão até o dia 29 de abril. A Mercedes Viegas Arte Contemporânea fica na Rua João Borges, 86 - Gávea. Funcionamento: de segunda a sexta, das 12h às 19h; e sábados, de 15h às 19h. Entrada gratuita.