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Cidade Copacabana parte 2 – Circuito Modernista

Escolhi referências arquitetônicas por ser a face mais exposta de qualquer cultura urbana e também a primeira vitima da tão poderosa especulação imobiliária. O Rio já viveu outros momentos de transformação, conhecer história é fundamental para projetar melhor o futuro. Hoje, ninguém duvida que o Morro do Castelo, o Palácio Monroe ou o Mercado Municipal tem mais valor que a Perimetral. Muito do que hoje são apenas vestígios, seriam monumentos caso houvesse mais cultura de valor. Além do quarteirão Art-Deco, poderíamos ter também, quem sabe, um quarteirão modernista no bairro, caso projetos revolucionários como a Casa Norchild (primeira casa modernista do Rio) não tivesse sido demolida, entre outras. Moro em Copacabana, tenho muito prazer em viver em um quarteirão cheio de vida, onde múltiplos estilos convivem no limite da saturação, mas constantemente me deparo com muita falta de juízo, seja na troca de um elevador de madeira dos anos 30 por um de aço “falante”, na substituição de um tradicional letreiro de loja por uma “plotter”, impresso "desde 1940" ou na inteira cobertura de um hotel Art-Deco por uma casca de vidro espelhada. Tudo à pretexto de “modernização”, somente de fachada, raramente de mentalidades. Um edifício dos irmãos Roberto (autores do projeto do Aeroporto Santos Dumont) e na próxima esquina uma casinha dos anos 30 perdida na história. Supõe-se que seja de autoria do escritório de Lucio Costa e Gregori Warchavchik . O ucraniano é autor da primeira casa modernista do Rio de Janeiro, de 1931, também na rua Tonelero. Infelizmente ela não resistiu à especulação imobiliária, foi demolida nos anos 70. Completamente descaracterizada, essa casinha, a única que sobrou pois havia outra no mesmo trecho, hoje, tem uma função inimaginável, à época, pelo pai da arquitetura funcional no Brasil, serve de garagem para carrocinhas de churros.
Curador: 
Marcus Wagner
Local: 
Copacabana
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