ArtRio

Entrevistas

Tecnologia, perspectiva e localismos globalizados

No Brasil pela primeira vez, a galeria americana Steve Turner Contemporary apresenta os trabalhos de Rafaël Rozendaal e Michael Staniak, que desenvolvem arte com tecnologia, internet e a ideia de um mundo cada vez mais sem fronteiras. Sua galeria está no programa VISTA no Armazém 2, stand V17, que reúne projetos com uma curadoria experimental, além de stands concebidos exclusivamente para a feira. “Escolhi trazer a galeria pela primeira vez na ArtRio porque eu queria aprender mais sobre o Brasil e sua cena de arte”. Em entrevista ao portal, ele fala mais sobre os dois artistas e sua curadoria.

- Qual a proposta da curadoria ao trazer Rafaël Rozendaal e Michael Staniak, que trabalham com arte e tecnologia?
Steve Turner: Eles são de uma nova geração de artistas que criam obras inspiradas pela internet e novas tecnologias. Como eles se identificam mais com a internet do que eles fazem com nacionalidade, eles são tão relevantes no Brasil como em qualquer outro lugar. Rozendaal diz em sua biografia que ele "vive e trabalha na internet." Seu pensamento me motivou a trazer seus trabalhos e das Staniak a ArtRio.

- Existe uma conexão entre os art-websites que Rozendaal cria (ex: http://www.everythingalwayseverywhere.com) e as pinturas lenticulares que ele está apresentando. Como vão se conectar?
Steve Turner: Rozendaal criou mais de 100 sites que existem apenas na internet, onde existem como obras de arte. Se eles foram comprados por um colecionador ou não (que tem como obrigação hospedar o site), eles ainda são livres para qualquer um ver. Em 2013, Rozendaal produziu sua primeira pintura lenticular. Foi baseado em um site específico, que era interativo. Com a criação de uma pintura lenticular, ele traduziu a experiência de visualização de um site em uma experiência física. Em vez de mover o mouse para alterar a imagem, o espectador só precisa mudar a sua perspectiva para mudar a imagem. Em certo sentido, ele transformou o espectador no mouse.

- Taniak cria pinturas verdes e roxas, algumas holográficas, que brilham e refletem a luz usando materiais utilizados para armazenar dados, como CDs e DVDs. Existe alguma atenção ao conteúdo armazenado nessas mídias ou ele está preocupado nesses materiais como suporte?
Steve Turner: Staniak criou as pinturas de dados como uma extensão da sua prática geral em que ele considera as diferenças de percepção entre visualização em pessoa e on-screen. No passado, ele criou pinturas usando técnicas tradicionais que parecem ser impressões digitais. Com as pinturas de dados, ele foi um passo adiante usando o material real de suporte. Não só eles se relacionam com seus trabalhos anteriores, mas também se relacionam com as obras de Rozendaal na maneira como brilham e mudam conforme a perspectiva.

- Os dois artistas brincam com a idéia de perspectiva e as telas mudam de acordo com a posição do espectador. Conte mais sobre a linha conceitual dessas relações?
Steve Turner: Ambos os artistas gostam de envolver os espectadores de forma mais ativa. Nesse sentido, você pode pensar em ver estas obras como um compromisso social. Estas obras também atraem muitos espectadores para fotografar e publicar imagens no Facebook e Instagram. Dessa forma, ainda, elas têm uma grande componente social.

- Como você percebe a presença da arte brasileira no contexto internacional?
Steve Turner: Tenho notado a presença do Brasil no cenário artístico internacional por muitos anos. Há sempre excelentes galerias brasileiras que participam em feiras na Europa, América Latina e Estados Unidos. Acho que os artistas brasileiros continuarão a receber mais e mais exposição em todo o mundo. Se eu conhecer os artistas bem, quero mostrá-los em Los Angeles.