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Coletiva “Permissão para falar” na Athena Contemporânea

Com curadoria de Fernanda Lopes, a galeria Athena Contemporânea inaugura, no dia 14 de fevereiro, a exposição “Permissão para falar”. Tendo a palavra como ponto de partida, todas as obras fazem referência ao discurso e à história como construções, com interesse especial nos usos e variações de significados que as palavras podem assumir, dependendo de quem fala, de quem escuta ou mesmo quando são silenciadas.

Participam nove artistas: Beto Shwafaty, Diego Bresani, Jaime Lauriano, Lais Myrrha, Laura Belém, Paula Scamparini, Sara Ramo, Vanderlei Lopes e Yuri Firmeza (que apresenta uma obra em parceria com Frederico Benevides). Ao todo são dez obras, em diferentes técnicas e suportes, como vídeos, objetos, fotografias, gravuras e desenhos, produzidas recentemente.

Além do recorte curatorial, a mostra apresenta a mais nova produção de artistas que estão ganhando cada vez mais reconhecimento na cena artística nacional, como Lais Myrrha, que foi um dos destaque da última Bienal de Arte de São Paulo, e Beto Shwafaty e Jaime Lauriano, vencedores do Prêmio FOCO Bradesco ArtRio 2015 e 2016, respectivamente.

“A exposição tem como ponto de partida a palavra. Não a palavra isolada, com significado único e fixo, mas sim a palavra como construção e como discurso, que pode assumir diferentes características e leituras a partir do ponto de vista e do contexto de leitura. Nenhuma palavra pode ser lida sozinha, isolada, fora de contexto. Toda fala é construída, se constrói a partir de pontos de vista e referências, e não elimina a possibilidade de existência de outros olhares”, explica a curadora Fernanda Lopes, ressaltando que “essa é uma exposição interessada em pensar o lugar da fala e da escuta".

A Galeria Athena Contemporânea fica no Shopping Cassino Atlântico (Avenida Atlântica, 4240 – 210/211 – Copacabana). Funcionamento: de segunda a sexta, das 11h às 19h. Sábado, das 12h às 18h. Entrada gratuita.

Artistas e obras

Beto Shwafaty (São Paulo, 1977) terá duas obras na exposição. Em “Anhanguera/Bandeirantes” e “Abstrações Sujas”, ambas de 2015, o artista explora a história, a memória e utiliza textos extraídos da imprensa. No primeiro, trata da exploração da cidade de São Paulo pelos Bandeirantes e o desenvolvimento econômico representado pelas principais vias de acesso da cidade. Na segunda, mostra momentos na história do edifício Edise - sede da Petrobras no Rio de Janeiro. A obra é dividida em três partes independentes e uma delas estará na exposição.

Diego Bresani (Brasília, 1983) apresentará fotografias feitas em Paris, durante o ano que viveu lá. A observação do mundo, suas paisagens e personagens, compõem a essência do trabalho, uma espécie de diário pessoal onde tenta reconstruir sua própria história.

Jaime Lauriano (São Paulo, 1985) mostrará obras das séries “Vocês nunca terão direito sobre seus corpos” (2015) - um entalhe em madeira de frases de racismo institucional, encontradas em comunicados oficias e boletins de ocorrência, da Policia Militar Brasileira - , e “Bandeira Nacional” (2015), em que busca subverter, a partir de técnicas de tecelagem artesanal, o controle e a regulação deste símbolo. Ou seja, registrar diferentes maneiras de apropriação e alienação da Bandeira Nacional.

Lais Myrrha (Belo Horizonte, 1974) terá na exposição quatro trabalhos da série “Reconstituição” (2008), em que seleciona as páginas da Constituição em que aparece a palavra “exceção” e as destaca, colocando desfocado o restante do texto.

Laura Belém (Belo Horizonte, 1974) apresentará uma obra da série “Hoje tem cine” (2015), em que a artista cria letreiros em neon com títulos dos filmes que marcaram a história do Cine Palladium, que foi um dos cinemas mais importantes de Belo Horizonte. Na exposição, estará o letreiro de “Jardim de Guerra”, de Neville D'Almeida, recolhido pela censura em 1968.

Paula Scamparini (Rio de Janeiro, 1980) mostrará a videoinstalação “Nós-Tukano” (2015), em que, em uma das telas, o índio Carlos Doethiro Tukano, líder político e cacique da maior aldeia urbana no Brasil, a Aldeia Maracanã, narra a história de sua terra para um grupo de crianças, em sua língua-mãe. No vídeo ao lado, que acompanha a fala de Doethiro, homens-brancos de diversas origens procuram reproduzir as palavras dele mesmo sem entender seus significados.

Sara Ramo (Madri, 1975) apresentará a série de fotografias “O ensino das coisas” (2015), em que mostra como é difícil definir certos conceitos ou palavras. O ponto de partida são cartazes encontrados pela artista em uma escola de design abandonada no Uruguai. Os alunos tratavam de expressar o conteúdo da palavra através da forma.

Vanderlei Lopes (Paraná, 1973) participa da exposição com a obra "EEDDM II (El encuentro de dos mundos)", realizada em 2013. As formas orgânicas das folhas, fundidas em bronze, apresentam recortes geométricos e precisos feitos pela mão do homem (recortes tão precisos que não encontramos na natureza). Aqui, os "dois mundos" citados no título, podem ser a natureza e a cultura (que por muitos autores é considerada uma invenção do homem, como uma tentativa de domar a natureza).

Yuri Firmeza (São Paulo, 1982) & Frederico Benevides apresentam o curta-metragem “Entretempos”, selecionado para o 62º Festival Internacional de Curtas- Metragens de Oberhausen, na Alemanha. O filme também participou da Semana dos Realizadores em 2015 e levou o prêmio de Menção honrosa do Júri Oficial. O trabalho parte do material arqueológico encontrado na região portuária do Rio de Janeiro, fotografias, imagens de arquivo, documentos oficiais e de negociações dos escravos, para pensar o atual processo de gentrificação que atravessa, hoje, esta região.