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Conversa com Célia Euvaldo na Mul.ti.plo Espaço Arte

Na terça-feira, dia 4 de julho às 19h, a Mul.ti.plo Espaço Arte promove uma conversa com Célia Euvaldo e o professor e crítico de arte Paulo Sergio Duarte, sobre a mostra "Duas Matérias". A exposição reúne cerca de oito desenhos realizados em 2016 e 8 pinturas, em óleo sobre tela, da produção mais recente da artista, produzidas entre 2014 e 2017.

Os desenhos são colagens de papel preto pesado sobre papel japonês fino e leve. No processo, os papéis “trabalham”, enrugando, entortando. “Essas colagens querem ser esculturas. Elas querem também inverter os 'papéis', nos dois sentidos da palavra. O papel mais resistente, o mais firme, que normalmente seria o suporte, está por cima do mais fino. Mas o mais fino não é mero suporte, ele é um segundo elemento que acontece de estar embaixo do outro. Ou, melhor, não embaixo, em relação com o outro. E esse outro, o papel mais consistente, nem sempre respeita os limites daquele sobre o qual ele se apoia, ultrapassando-os. Um atua sobre o outro, eles se deformam, abaulam, enrugam nessa interação”, explica Célia.

Nas pinturas, a matéria da tinta a óleo preta, densa, estriada entra em relação com a tinta diluída, em colorido rebaixado. A primeira deixa evidentes em sua textura as direções variadas das pinceladas – uma região mais conturbada –, enquanto a parte lavada fornece uma indicação sutil da aplicação da tinta em uma só direção – momento mais silencioso da pintura.

No contato entre as duas matérias há, às vezes, contaminação de uma pela outra, como um arrepio provocado pelo atrito entre elas. A configuração é repetitiva, com o preto denso quase sempre na parte de baixo, às vezes na lateral, como se lá estivesse para evitar que a matéria fluida se volatizasse, retendo-a com seu peso. Para que essas duas matérias se afirmem como coisas, partes da tela são deixadas sem pintar: cada uma tem sua configuração própria, o branco da tela que sobra funcionando como luz.

Essas pinturas são um novo caminho no trabalho de Célia Euvaldo. Até então, elas consistiam em uma única matéria, preta ou branca, em tinta densa, com o rastro das pinceladas em direções variadas, que eram reveladas pelo reflexo da luz. Eram feitas a partir de poucas operações, espalhar a tinta (com pincel ou vassoura) e alisá-la (com espátula ou rodo). As pinturas atuais inseriram uma nova operação: áreas de tinta diluída, em cores rebaixadas, contrapostas a áreas de tinta preta densa.

A exposição vai até o dia 15 de julho 2017. A Mul.ti.plo Espaço Arte fica na Rua Dias Ferreira 417/206 – Leblon. Funcionamento: de segunda a sexta, de 10h às 18h30, e sábados de 10h as 14h. Entrada gratuita.

Sobre a artista

Célia Euvaldo (nasceu e vive em São Paulo) começou a expor em meados da década de 1980. Suas primeiras exposições individuais foram na Galeria Macunaíma (Funarte, Rio de Janeiro, 1988), no Museu de Arte Contemporânea (São Paulo, 1989) e no Centro Cultural São Paulo (1989). Ainda em 1989, ganhou o I Prêmio no Salão Nacional de Artes Plásticas da Funarte.

Desde então tem exposto regularmente em mostras individuais e coletivas em galerias e instituições. Participou, notadamente, da 7ª Bienal Internacional de Pintura de Cuenca, Equador (2001) e da 5ª Bienal do Mercosul (2005). Realizou exposições individuais, entre outros, no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 1995, 1999 e 2015/16), na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2006), no Centro Cultural Maria Antonia (São Paulo, 2003 e 2010), no Museu de Gravura da Cidade de Curitiba (2011) e no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2013). Em 2016, participou da mostra coletiva “Cut, Folded, Pressed; Other Actions” na David Zwirner Gallery, em Nova York.