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Inéditos de Carlos Zilio na Anita Schwartz Galeria de Arte

Trabalhos inéditos de Carlos Zilio (1944, Rio de Janeiro) compõem a individual "Pinturas, desenhos e objetos", que a Anita Schwartz Galeria de Arte apresenta a partir de 19 de julho. Presença constante em exposições no Brasil e no exterior, como “Transmissions: Art in Central Europe and Latin America, 1960-1980”, no MoMA de Nova York, em 2015, o artista vai mostrar cerca de quinze trabalhos recentes, dentre pinturas, desenhos e objetos, todos desenvolvidos a partir de um tema básico: o tamanduá.

A imagem do tamanduá surgiu pontualmente na produção de Carlos Zilio em meados dos anos 1980, com a morte de seu pai. Na época, Zilio se lembrou de uma história restrita ao ambiente familiar. Quando pequeno, seu pai tinha um tamanduá de estimação, no interior do Rio Grande do Sul. Para onde ia, o tamanduá ia junto, como animal doméstico.

Em uma viagem, o menino não pode levar seu bicho de estimação, e a volta à casa foi retardada por um forte temporal. O tamanduá ficou triste com a ausência de seu dono, ao ponto de morrer. O garoto, claro, ficou arrasado quando chegou em casa e soube do ocorrido. Com a morte do pai, esta história ressurgiu, e Zilio chegou a fazer alguns trabalhos usando a figura de um tamanduá.

Mas somente 20 anos depois, em 2008, retomou o tema, e como formato básico para representar o animal usou uma figura encontrada por acaso no piso manchado do corredor de acesso ao ateliê em que trabalhou por 25 anos, em Botafogo, que pertenceu ao pintor Iberê Camargo, do qual foi aluno. “Tem a ver com perdas, indagações e questionamentos em torno das ausências. A materialização de uma ausência”, comenta o artista.

Para a exposição na Anita Schwartz, Carlos Zilio criou três formatos semelhantes de tamanduá, que são usados como máscaras nas pinturas e nos desenhos. Os trabalhos recebem várias camadas de tinta – óleo e color jet nas pinturas sobre tela, e color jet sobre papel e acetato nos desenhos – em um longo processo, e trazem variadas texturas e transparências. Os tamanhos variam de 110cm a 330cm.

Os trabalhos fazem referência à memória do artista, como a repetição de elementos que utilizou em produções anteriores – as linhas onduladas, presentes em obras dos anos 1980, ou as setas da pintura "Cerco e Morte” (1974), adquirida em 2014 pelo MoMA de Nova York. Da mesma forma, utensílios e ferramentas que convivem com o artista em seu ateliê – agora instalado em Laranjeiras – e acabaram “ganhando intimidade com o tempo”, se transformaram em objetos que serão expostos.

É o caso da chaleira usada por Iberê Camargo, potes que trazem no fundo as inscrições “ontem”, “hoje” e “amanhã”, dispostos em degraus de uma escada, ou ainda "Ryman’s pie", como uma homenagem irônica ao artista que só usa branco (Robert Ryman, 1930), criada com restos de camadas de tinta branca, que aludem a um glacê de torta.

A mostra vai até o dia 26 de agosto. A Anita Schwartz Galeria de Arte fica na Rua José Roberto Macedo Soares, 30, Gávea. Funcionamento: de segunda a sexta de 10h às 20h, e das 12h às 18h, aos sábados. Entrada gratuita.