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Vista Parcial I Coletiva

Mercedes Viegas Arte Contemporânea | Rua João Borges, 86 - Gavea | 07.NOV - 07.DEC

A série "Vista parcial", de Julio Villani, que dá nome à exposição, tem o Rio de Janeiro antigo como pano de fundo. A fotografia foi reproduzida em vários exemplares, e cada um deles retrabalhado através de colagens em papel e tinta óleo. Ao intervir diversas vezes sobre a mesma imagem matriz, o artista encontrou uma forma de colocar sua pintura em movimento e atribui a cada tiragem uma singularidade, uma forma própria. As obras estão publicadas no livro "Julio Villani 1 + 1 + 1", editado no Brasil pela Martins Fontes.

Nas fotografias de Jaqueline Vojta, sua formação como pintora está presente na escolha temática, ao fotografar o campo, no vale de Dedham, em Essex, Inglaterra, onde o artista do século XIX John Constable viveu e pintou a maioria de suas paisagens. A artista não faz aqui uma fotografia documental, recuperando a exata visão do pintor, mas busca capturar a atmosfera do lugar. Seguindo o mote de Constable, Jaqueline fotografa também o lugar onde vive, o Rio de Janeiro, em locais onde a natureza se faz presente, resistindo em meio à selva urbana.

Regina de Paula participa com quatro fotografias que abordam questões relacionadas à colonização e catequese, mas que, segundo a artista, não se reduzem a esses âmbitos, pois não pretendem direcionar ou reduzir a dimensão reflexiva que a imagem na arte pode, enquanto potência, enunciar. Algumas delas foram feitas na Aldeia Maracanã, junto às ruínas do Museu do Índio, onde ficam acampados índios de todo Brasil.

Luiza Baldan apresenta uma fotografia que faz parte da série “A uma casa de distância da minha”, feita em Portugal. A artista fez road trip percorrendo o litoral português de norte a sul, em busca de resquícios do estilo arquitetônico chamado “Português Suave”, que foi incorporado pelo regime fascista como símbolo nacional e adaptado à linguagem propagandista política. Seu olhar sobre os vazios, em meio a um mundo sedento por presença e completudes, é uma espécie de imagem paradigmática daquilo que deveria reger a relação com a vida, ou seja, a busca pela surpresa, o inesperado, e não pelo seguro e já conhecido.

A jovem Maria Baigur participa da mostra com fragmentos das séries de fotografias “Dramas ordinários” e “Serenus”. São imagens como anotações da vida urbana, usando o centro ressoante − a cidade − para compor séries que falam das pluralidades, delicadezas, dramas, traumas e fetiches da vida contemporânea. Os nomes das séries vieram de leituras de Nelson Rodrigues e de visitas a farmácias em busca de calmantes vendidos sem receita. “Pequenos segredos que todos dividimos”, segundo a artista.