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Chega ao Rio a exposição "Abraham Palatnik – A Reinvenção da Pintura"

Com curadoria de Felipe Scovino e Pieter Tjabbes, "Abraham Palatnik – A Reinvenção da Pintura" é a maior mostra já realizada do artista, consagrado pela criação de obras marcadas pela fusão entre o movimento, o tempo e a luz. Pinturas, desenhos, estudos, objetos, móveis e esculturas compõem a mostra, que o CCBB Rio apresenta de 1o. de fevereiro a 10 de abril de 2017.

A obra de Abraham Palatnik se caracteriza por uma qualidade inegável: permite não só observar as passagens do moderno ao contemporâneo, mas também reconhecer uma das primeiras associações entre arte e tecnologia no mundo. A exposição ultrapassa os limites da pintura e da escultura modernas, intenção que o artista manifestou claramente nos 'Aparelhos cinecromáticos', nos 'Objetos cinéticos' e em suas pinturas, quando passou a promover experiências que implicam uma nova consciência do corpo.

A contribuição de Palatnik para a história da arte não se dá apenas por sua posição como um dos precursores da chamada arte cinética, mas também pela leitura particular que faz da pintura e em especial pela articulação que promove entre invenção e experimentação. Seu lado “inventor” está presente em uma artesania muito particular que o deixa cercado em seu ateliê por porcas, parafusos e ferramentas construídas por ele mesmo, e não pelas tintas, imagem característica de um pintor.

O crítico de arte Mário Pedrosa e o escritor Rubem Braga já afirmavam na década de 1950, que Palatnik pintava com a luz. A exposição também chama a atenção para mais dois aspectos importantes: a forma como o artista explora o tempo em suas obras e a sua ligação com a indústria e o design. Nesta mostra estão reunidos todos esses momentos da obra extraordinária de Abraham Palatnik.

O CCBB fica na Rua Primeiro de Março, 66 - Centro. Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h. Entrada gratuita.

Sobre o artista

Nascido em Natal (RN), filho de russos, Palatnik passou a infância em Tel-Aviv (então Palestina), onde fez curso de especialização em motores de explosão. Aos 20 anos, voltou permanentemente para o Brasil. O jovem artista mudou a forma de ver, fazer e entender arte quando conheceu o Hospital Psiquiátrico Dom Pedro II, coordenado pela Dra. Nise da Silveira, levado por Almir Mavignier, orientador do ateliê de pintura da instituição. Ao ver obras de pacientes esquizofrênicos, que apresentavam uma produção excepcional, mesmo sem estudos sobre arte, Palatnik percebeu que realizava algo inócuo frente àquela produção rica de artistas que na grande maioria desconhecia o significado da expressão “arte”. Assim, abandonou os pincéis e passou a ter uma relação mais livre entre forma e cor.

Aprofundando os estudos sobre psicologia da forma e usando os dotes como engenheiro, ele começou os experimentos com luz e movimento que deram origem aos Aparelhos Cinecromáticos – caixas com lâmpadas e telas coloridas que se movimentam acionadas por motores, um mecanismo que gera uma série de imagens de luzes e cores em movimento, que unem lirismo e jogo de percepção-, e aos Objetos Cinéticos – aparelhos constituídos por hastes ou fios metálicos que possuem nas extremidades discos de madeira pintados de várias cores, além de placas que se movimentam lentamente, acionado por motores ou eletroímãs, dando à mecânica uma dimensão estética que provoca encantamento com os movimentos rotativos.

Esse uso inusitado que Palatnik faz da tecnologia e sua originalidade fez com que a classe artística e os júris especializados focassem e admirassem seus trabalhos. Durante a I Bienal de São Paulo, em 1951, a comissão internacional não sabia como qualificar a obra Aparelho Cinecromático Azul e roxo em seu primeiro movimento. A obra não era uma escultura, tão pouco uma pintura. Era algo que não se enquadrava nas categorias da Bienal. A solução encontrada para garantir o reconhecimento pelo trabalho original e inovador foi lhe dar uma menção honrosa.